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Pastéis de feijão da avó Leonor…

Foi num tempo que mal recordo, num tempo em que tinha demasiado tempo para que lhe desse algum valor, num tempo em que não me apercebi do enorme vazio que significa perder alguém…

Quando perdi a minha avó Leonor, perdi uma parte do meu nome e a resposta a todas as perguntas que ainda não tinha formulado.

Às vezes, e apesar de toda a minha aparente descrença, gosto de a sentir ao meu lado, do apoio que me dá em cada passo do meu caminho e do seu intuitivo “toque especial”.

Hoje, partilho os seus pastéis de feijão, com a mesma generosidade que ela teria: a melhor cozinheira do mundo.

Pastéis de Feijão:

Para 12 unidades:

Massa Tenra:
100 g de farinha de trigo
15 g de manteiga
Leite q.b. (uns 50 ml)
Uma pitada de sal

Amassar tudo até que fique homogéneo.
Descansar 1 hora, tapada com film.

Recheio:
500 g de açúcar
125 g de polme de feijão branco cozido (passado e sem pele)
125 g de amêndoa moída
12 gemas
Açúcar em pó (para polvilhar)

Pôr o açúcar ao lume com um pouco de água até que alcance o ponto de espadana (117ºC e 40 Bé).
Juntar o polme de feijão e ferver um pouco.
Juntar a amêndoa moída e ferver um pouco mais.
Tirar do lume e juntar as gemas passadas pela peneira, mexendo sempre para que não talhe.
Levar de novo a lume brando, mexendo por 10 minutos.
Deixar arrefecer.

Pré-aquecer o forno a 225ºC.
Estender a massa sobre uma superfície polvilhada de farinha até que fique muito fina.
Forrar 12 forminhas com a massa e rechear.
Cozer sobre um tabuleiro de forno por 20-25 minutos.




Comentários

16 Comentários to “Pastéis de feijão da avó Leonor…”

  1. mesa para 4 em 12 Setembro, 2008

    Bem sei Leonor, infelizmente conheço bem a sensação e não é só em relação aos avós…e acredito piamente que esses devem ser os melhores pasteis de feijão…vou guardá-los com carinho e um dia quem sabe eu ganhe a coragem de tentar provar um pouco dessa saudosa avó…abraço

  2. Avental da Micas em 12 Setembro, 2008

    Além de bonitos, devem estar maravilhosos!
    A receita já está guardada à espera de um momento adequado e à altura destes pastéis serem confeccionados (espero que com a mesma sabedoria).

    Além de tudo, aprecio a forma como torna tudo tão fácil e sempre com explicações apropriadas para quem tem um amor enorme por esta arte, mas não está ainda especializada nas diferenças entre um ou outro ingrediente! Obrigada.

  3. Anonymous em 12 Setembro, 2008

    Obrigada por partilhas connosco a receita de alguém que lhe é tão querida. As nossas avós e mães são sempre as melhores cozinheiras do mundo. Elas deixam-nos as suas receitas num caderninho escrito por elas e nós seguimos fielmente as suas instruções, mas no fim nós reconhecemos que ninguém faz como elas. Eram as mãos e a sabedoria delas que tornavam tudo tão especial. Um dia, quem sabe, ainda vou partilhar consigo as maravilhosas receitas do caderninho da minha mãe. Beijinho

  4. Miguel e Irina em 13 Setembro, 2008

    A maior prova que a avó está entre nós foi ver esta receita no teu blog :)
    Ontem deitei-me a pensar em ti e de como o ‘nosso’ amor pela cozinha não é algo que se aprenda apenas num curso… é importante descender de uma familia onde sempre se comeu maravilhosamente bem, onde as ‘patuscadas’, as tardes a fazer bolos e os melhores pratos eram uma constante… A avó comecava a cozinhar logo pela manhã e o aroma dos seus petiscos inundava a casa… a cozinha está intrinseca nos nossos genes e cada vez mais entendo porque foste tu a escolhida para lhe seguir os
    passos. Só tu o saberias fazer de uma maneira tão ‘chique’, tão elaborada e bonita… Cada receita, cada texto, cada fotografia são um prazer de ler e os comentários que recebes enchem-me o coracão de orgulho (penso que digo sempre isto nos meus comentários!)
    Tu és um espectáculo!

    Um beijo especial da Leonorzinha :)

  5. Moira em 13 Setembro, 2008

    Olá Leonor,
    Acho que vou experimentar esta receita, ainda por cima cá em casa somos ambos apreciadores de pastéis de feijão. Eu costumo fazer uma receita de tarte de feijão que também é muito antiga, de uma tia avó, mas fico sempre renitente em relação à massa pois na receita original a massa é feita com banha. Outros tempos… Encontrei-a em casa da minha madrinha dentro de uma caixinha de cartão cheia de papelinhos escritos à mão e em que a maioria das receitas só tem os ingredientes, as instruções estavam na cabeça de quem as fazia, já experimentei muitas mas na altura não tinha blog e não tirava fotos.
    Bjs

  6. Agdah em 13 Setembro, 2008

    Eu também tenho o mesmo nome de minha avó. E é assim mesmo como descreveu, é como perder um pedacinho da gente que nunca mais volta. Ficam a lembrança e a saudade toda vez que olho para a cozinha ou que vem à mente algum sabor familiar.

  7. Gourmandise em 13 Setembro, 2008

    Conheci este doce outro dia, na ula de um chef confeiteiro português. Gostei muito! Me recordou alguns doces nipônicos.
    bjo

  8. elza em 13 Setembro, 2008

    Finalmente decidi-me a um comentário. Até aqui, tinha a sensação, que tudo aquilo que eu pudesse acrescentar encontraria eco nas palavras elogiosas que povoam o teu blog.Hoje, pretendo mais,já não me chegam, descerro o filtro com que os meus olhos te vêem e proclamo até à exaustão o meu amor por ti, a felicidade de te ver feliz,o acreditar com todas as forças que vais subir ao “Evereste”,dançar como “prima donna” o Lago dos Cisnes,ganhar o prémio Nobel,….e, construires aquele espaço envidraçado sobre uma colina, onde flutues ao sabor dos aromas com a leveza e graciosidade que caracterizam tudo aquilo que fazes. Abriste uma janela para o mundo, o mundo abrir-te-à uma porta.Estou certa que estás destinada a cumprir todos os sonhos de quem, como tu, tinha esta paixão e não pôde concretizá-la.Vou estar sempre aqui na primeira fila a assistir a todos os jogos e berrar “A LEONOR É A MAIOR”. A tua maior fã.

  9. Margarida em 15 Setembro, 2008

    Um cafézinho com um pastel de feijão acabado de fazer com uma receitinha de avós é das melhores coisas que há! E essas receitas, aquelas guardadas na cabeça que se faziam de olhos fechados, ou mesmo aquelas apontadas em caderninhos de folhas amarelecidas pelo tempo são, sem dúvida, legados preciosos de uma vida de muitas experiências!
    Beijinho!
    (esta eu vou copiar mesmo)

  10. ameixa seca em 18 Setembro, 2008

    O toque da avó Leonor é, com toda a certeza, divino!
    A ser sincera, prefito um pastel de feijão ou de grão do que um pastel de nata 😉

  11. Ricardo Gonçalves em 3 Dezembro, 2010

    Na receita de pastel de feijão o que é LUME e POLME.

  12. Catarina em 16 Fevereiro, 2011

    Olá Leonor :)

    achas que em vez de fazer doze pasteis individuais poderemos fazer uma espécie de tarte de massa folhada de feijão?

    Obrigada por nos continuares a deliciar flagrantemente*

  13. Inês em 27 Agosto, 2011

    Olá!!

    Já experimentei esta receita e faço-a muitas vezes!!! há pessoas que vêm de propósito a minha casa comer estes pastéis de feijão!! Também já experimentei fazer em tarde e também fica óptimo… mas os pastéis!… indescritíveis!

  14. jorge granja em 16 Maio, 2012

    Minha Senhora estou escrevendo dos U.S.A Estive em Portugal em marco deste ano e comi uns pasteis de cenoura que ainda tenho o sabor na boca gostaria de saber a receita .Muito obrigado um abraco Jorge Granja

  15. Andreia em 27 Novembro, 2012

    Olá, o engraçado é que me revejo nas palavras descritas…
    Também perdi a minha avó, que pelo Natal fazia sempre imensos pastéis de feijão, que eram DELICIOSOS.
    Estava à procura de uma receita, e ainda bem que vim ter a este blog, porque nunca pensei que o que eu sinto em relação à perda da minha avó, pudesse ser sentido (penso que da mesma forma) por outra pessoa.
    Mais do que o sabor destes pastéis, era a alegria de poder ver e ajudar a minha avó a fazê-los, pois sempre marcou o meu Natal. Depois de a perder perdi um pouco de mim, e o Natal deixou de ser o que era… Quem sabe ao fazer estes pastéis, pela 1ª vez, a minha avó não esteja comigo para ajudar a amassar a massa e para que fique no ponto, tal como ela sabia fazer :)

  16. Leonor de Sousa Bastos em 28 Novembro, 2012

    Olá Andreia,

    Acredito que esta é uma forma de eternizar as pessoas…pensar e falar nelas, repetir os mesmos gestos que nos marcaram e ensiná-los aos outros. Infelizmente, não sou uma pessoa muito crente mas, sempre que pego nos cadernos de receitas da minha avó parece que a sinto presente.

    Espero que esta receita traga boas memórias e a inspiração especial de uma avó.*

    Um beijinho e obrigada pela simpatia,

    Leonor

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