Alegria!

A aletria não podia faltar à mesa do Natal da avó Leonor. Era uma aletria muito amarela, que se podia cortar em fatias e que nunca mais me lembro de comer.
Era especialmente feita para o meu avô Alfredo e, não bastasse a crença profunda de que um homem se conquista pelo estômago, tinha aquela dose mágica de um amor especial.
A aletria também não vai faltar ao nosso Natal… com todo o amor que merece.

Aletria
150 g de aletria
800 ml de leite
200 ml de natas
200 g de açúcar
Raspa de ½ limão
1 pau de canela
8 gemas
50 g de manteiga amolecida
Canela moída para polvilhar
Desfazer os novelos de aletria com as mãos, para que toda a massa fique solta e possa cozer uniformemente.
Pôr ao lume uma panela com água até que comece a ferver.
Colocar o leite, as natas, o açúcar e os aromatizantes num tacho e levar ao lume até que comece a ferver.
Deitar a aletria na água e deixar ferver durante cerca de cinco minutos.
Retirar do lume, escorrer bem e deitar na panela com o leite já a ferver deixando cozer cerca de 5 a dez minutos.
Bater as gemas ligeiramente numa taça e adicionar-lhes um pouco do leite quente, mexendo bem.
Juntar as gemas ao leite, sem parar de mexer e levar ao lume apenas para que cozam (não deixar ferver) durante cerca de um a dois minutos.
Retirar do lume, juntar a manteiga e mexer até homogeneizar.
Colocar a aletria num prato, deixar arrefecer e polvilhar com canela moída.
A cinco receitas do Natal…
Entremos, apressados, friorentos,
Numa gruta, no bojo de um navio,
Num presépio, num prédio, num presídio,
No prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
Porque esta noite chama-se Dezembro,
Porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
Duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
A cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
Talvez seja Natal e não Dezembro,
Talvez universal a consoada.
Rabanadas
3 ovos
12 fatias de pão de cacete de véspera com cerca de 1,5 cm de espessura.
400 ml de leite
1 raspa de limão
Óleo de girassol para fritar
Calda
400 ml de água
600 g de açúcar
1 raspa de limão
1 pau de canela
Bater os ovos numa taça.
Levar o leite e a raspa de limão ao lume num tacho até ferver. Retirar o leite do lume.
Mergulhar as fatias de pão no leite, de forma a ficarem bem ensopadas e colocar num prato.
Passar as fatias de pão por ovo e fritar até que fiquem douradas de ambos os lados.
Colocar as rabanadas numa taça.
Num tacho, misturar o açúcar com a água e os aromatizantes e deixar ferver até que o açúcar se dissolva completamente.
Retirar do lume e verter a calda sobre as rabanadas.
O rei na barriga

Nem posso acreditar em como os meus gostos foram mudando ao longo da minha vida. Não gostava de doces tradicionais ou doces feitos em épocas festivas e os Natais foram passando por mim sem que tivesse qualquer entusiasmo com as frutas cristalizadas, os frutos secos, as gemas e os excessos de açúcar.
O bolo-rei sempre foi um daqueles bolos… tirar-lhe todas as frutas era um trabalho minucioso, pouco compensador e que me fazia facilmente perder a paciência….
As fatias esburacadas remendavam-se com queijo e, à medida que o comia, ia eliminando as provas de um desperdício que quase sempre me custava um raspanete.
Agora, não o dispenso e este ano já ninguém mo tira…
Bolo-rei
10 g de fermento de padeiro
30 g de farinha de trigo T55
25 ml de leite tépido
25 ml de vinho do Porto
40 g de uvas passas
40 g de manteiga
40 g de açúcar
Raspa fina de ¼ de limão
Raspa fina de ¼ de laranja
Meia colher de chá de extracto de baunilha
1 ovo
160 g de farinha T55
¼ de colher de chá de sal fino
50 g de frutas cristalizadas cortadas em pequenos pedaços
50 g de frutos secos grosseiramente picados
1 gema de ovo
Um pouco de água
Frutas cristalizadas e frutos secos para decorar
Geleia
Açúcar em pó
Desfazer o fermento no leite e juntar a farinha numa taça
mexendo até que fique uma massa homogénea. Tapar a taça com película aderente e deixar levedar num lugar temperado por cerca de 15-20 minutos ou até que duplique de volume e forme bolhas.
Entretanto misturar as passas com o vinho e deixar macerar.
Bater a manteiga com o açúcar, as raspas de limão e laranja e a baunilha até que fique um preparado cremoso e esbranquiçado.
Juntar o ovo e bater bem.
Colocar o gancho de amassar na batedeira e juntar a primeira massa, já fermentada, amassando a velocidade média.
Juntar a farinha peneirada com o sal, até que esteja perfeitamente incorporada.
Juntar o vinho e as passas e continuar a bater a velocidade média por cerca de 20-25 minutos ou até que a massa esteja elástica (pode ser necessário juntar mais um pouco de farinha se a massa estiver muito mole).
Juntar as frutas cristalizadas e os frutos secos e bater apenas até que estejam uniformemente misturados na massa.
Retirar a massa da batedeira e formar uma bola, polvilhando-a ligeiramente de farinha.
Colocar a bola de massa sobre uma taça polvilhada com farinha e tapar com película aderente.
Deixar a massa levedar num local temperado durante cerca de 1h30 ou até que a massa tenha duplicado de volume.
Retirar a massa da taça, amassar ligeiramente para extrair todo o ar que se formou durante a fermentação.
Formar um rolo com a massa e colocá-lo de forma circular, unido as pontas.
Colocar sobre um tabuleiro de forno forrado com papel vegetal e deixar levedar novamente num local temperado durante cerca de 1h30 minutos ou até que tenha duplicado de volume.
Pré-aquecer o forno a 180º C.
Diluir a gema com um pouco de água e pincelar o bolo.
Colocar as frutas e os frutos secos de forma harmoniosa sobre a superfície do bolo.
Cozer durante cerca de 25 minutos ou até que esteja dourado.
Retirar do forno e pincelar com geleia diluída num pouco de água para dar brilho.
Polvilhar com açúcar em pó.
Adaptado de Maria de Lourdes Modesto.
Mais uma colherada…

(…)Eu posso, com valor que nada teme,
Contigo preparar lautos festins,
E ajudar-te a fazer o leite-creme,
E os mélicos pudins.(…)
Leite-creme queimado
Para cerca de 4 a 6 pessoas:
12 gemas
180 g de açúcar
1 l de leite gordo
30 g de farinha de trigo (2 colheres de sopa)
Casca de limão
1 pau de canela
Açúcar para queimar
Bater as gemas com o açúcar.
Dissolver a farinha num pouco do leite e adicionar o leite restante.
Num tacho, colocar o leite com a farinha, a casca de limão e a canela e levar ao lume até que comece a ferver.
Deixar que a farinha coza, mexendo regularmente.
Retirar do lume, remover a casca de limão e a canela e deitar sobre o preparado de gemas e açúcar sem parar de mexer.
Levar de novo ao lume, mexendo bem, apenas até cozer as gemas ( não deixar ferver).
Deitar o creme num prato e deixar arrefecer completamente.
Polvilhar o creme com açúcar e queimar com um maçarico ou uma pá de queimar creme.
A nossa árvore de Natal

(…)É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…(…)
Bolachas de canela
Para cerca de 40 unidades:
100 g de manteiga amolecida
100 g de açúcar em pó
225 g de farinha de trigo
1 colher de chá de canela moída
1 gema
10 ml de água fria ( pode ser necessário um pouco mais de água)
Glacé Real – versão fluída
1 clara
5 gotas de sumo de limão
160 a 180 g de açúcar em pó
Corante alimentar verde
Pérolas prateadas para decorar
Bater a manteiga com o açúcar até que fique um preparado cremoso e esbranquiçado.
Misturar a farinha, o sal e a canela numa taça e juntar à mistura de açúcar e manteiga, batendo bem.
Juntar a gema e a água e mexer até homogeneizar.
Formar uma bola com a massa, envolver em película aderente e refrigerar durante 30 minutos.
Pré-aquecer o forno a 200º C.
Preparar um tabuleiro de forno com papel vegetal.
Estender a massa entre duas folhas de papel vegetal com cerca de 0,5 cm de espessura e cortar com cortadores de bolachas.
Colocar as bolachas no tabuleiro e juntar os recortes de massa, estendendo-os novamente e cortando.
Cozer as bolachas durante cerca de 6 a 8 minutos ou até que estejam ligeiramente douradas nas bordas.
Deixar as bolachas arrefecer completamente sobre uma grade de pastelaria.
Glacé Real
Misturar a clara, o sumo de limão e o açúcar numa taça até estar um preparado homogéneo.
Juntar algumas gotas de corante verde e mexer bem.
O glacé deve ficar com uma consistência mais fluída do que o normal para que se espalhe uniformemente sobre as bolachas.
Mergulhar toda a superfície das bolachas no glace, deixando escorrer bem.
Colocar as bolachas sobre um prato, decorar com pérolas prateadas e deixar secar à temperatura ambiente.















