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Churros (numa versão leve e vegan).

Quarentena.

O tempo é tão só meu neste afastamento, que percebo que não me pertence.
Os momentos em que a solidão é mais feroz, são também aqueles em que o sentimento individual perde o sentido. Há um destino colectivo que valida o afastamento do outro, mesmo quando não nos é pedido ou imposto.
Agora, urge a distância.

A separação morde, mesmo a um mínimo de um metro de segurança, no espaço vazio de um abraço, na ausência fria de um beijo. É por isso que, em legítima defesa, trinco pão e nozes, devoro o doce de tomate, e ainda ataco as bolachas. Quem disse que resistir era fácil?

Conto 19 amargos dias sem trabalhar, com a regra confirmada por um bolo.
Disseram que as contas não apresentam perigo de contágio, e não permanecem em isolamento. São inúmeras as questões que me coloco, sem as longas caminhadas que me ajudam a clarificar o pensamento. Ainda assim, penso na lógica de uma cadeia e no desenho de um círculo. Talvez esteja equivocada e seja antes um circo. Como acabei de comer pão, canto a ideia das feras.

Volto ao tema inicial e concentro-me na ambiguidade da distância que ora afasta, ora une: na saudade, na solidariedade, na luta por um bem maior e universal.

Longe de ser santa, faço um sermão aos gatos sobre a importância dos valores absolutos, e de como o respeito é a base de todas as relações. Convido-os a uma mesa redonda, com a fome necessária para provar a realidade do outro e sem julgamentos de entretenimento televisivo (poupem-me às unhas de fora). Insisto que é hora da partilha, do minuto de silêncio contra o silêncio e do segundo sem hesitação.

Salve-se quem pudermos.

Estou certa que vai ser mais fácil resistir a isto, do que ir desafiar outro pacote de bolachas.

(Acabei a fazer churros). Quem vai ficar redonda sou eu.

Churros (numa versão leve e vegan).

Para cerca de 4 a 6 pessoas:

125 g de farinha de trigo T55
25 g de açúcar
125 ml de água
1 casca fina de tangerina*
Uma pitada de de sal fino

Cerca de 40 g de açúcar em pó ou fino para polvilhar.

Numa taça, colocar a farinha abrindo um buraco no centro.
Num tacho, levar ao lume a água com o açúcar, o sal e a casca de tangerina até ferver.
Retirar do lume e verter sobre a mistura de farinha e açúcar da taça, mexendo até que se forme uma massa homogénea.
Refrigerar a massa durante cerca de 30 minutos a uma hora.

Numa frigideira aquecer o óleo a cerca de 180º C.
Colocar a massa num saco pasteleiro com um bico estriado.*
Deixar cair sobre o óleo tiras de massa e ir virando os churros até que estejam dourados.
Retirar os churros do óleo e ir colocando sobre um prato com papel absorvente.
Polvilhar com açúcar e servir mornos.

*pode usar-se uma casca de limão, pode usar-se um pau de canela ou canela em pó ou baunilha para aromatizar a massa. Também se pode fazer a massa sem qualquer tipo de aromatizante.

*quem não tiver sacos nem bicos pasteleiros pode simplesmente deixar cair colheradas de massa, ou usar um saco de congelação cortado na ponta para ajudar a deixar cair a massa em tiras.

Os churros podem acompanhar com chocolate quente, com uma ganache, doce de leite, curd de limão, um doce de fruta ou até com um coulis de morango para uma versão mais leve.

Eu ainda tinha por aqui chocolate branco, pelo que usei uma ganache de chocolate branco com café.

Ganache de Chocolate Branco com Café:

100 g de chocolate branco cortado em pequenos pedaços
80 g de natas com cerca de 35% de M.G.
5 a 10 g de café solúvel (uma colher rasa de chá)

Colocar as natas numa taça e levar ao lume até ferver, ou usar o microondas.
Retirar do lume e juntar o café solúvel e o chocolate, mexendo até que esteja homogénea.

Esta é outra receita de churros publicada aqui.

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