Janeiro, tangerinas e amêndoa
Esta semana foi difícil. Habituo-me com facilidade a deitar e a acordar tarde mas, inverter o processo torna-se bastante doloroso.
Desde há algum tempo que o meu relógio biológico anda completamente descompassado e, depois destas semanas de festa, o meu Jet lag é tal que até já duvidei se foi o pai natal ou eu quem passou todo um dia em viagem na distribuição das prendas.
Acordar tarde sabe-me especialmente mal no Inverno. A minha fotossíntese é condição essêncial de bem-estar e, quando os dias já duram tão pouco, há que aproveitar cada segundo de luz solar como se fosse o último.
Tenho feito um esforço enorme para entrar no compasso da normalidade e, mesmo com todos os sonos e insónias a que tenho direito, cada hora de dia me sabe melhor.
À sexta-feira, com o ritmo recuperado, não há festa que não pareça longínqua e, os dias de depuração são já mais do que suficientes para que uma inofensiva tangerina não suscite os pensamentos mais pecaminosos…
Bolo de amêndoa e tangerina
125 g de tangerinas cristalizadas
6 ovos
250 g de açúcar
230 g de amêndoa pelada e moída
Açúcar em pó para polvilhar
Pré-aquecer o forno a 160 º C.
Untar com manteiga e forrar com papel vegetal o fundo de uma forma com 24 cm de diâmetro.
Cortar as tangerinas e retirar os caroços. Triturar num robot de cozinha até que fiquem em puré.
Bater os ovos com o açúcar até que estejam brancos e espumosos e tenham triplicado de volume.
Juntar a tangerina e bater até que esteja uma massa homogéna.
Adicionar a amêndoa moída e misturar delicadamente com uma espátula.
Verter a massa na forma e cozer durante cerca de 1 hora/1h15 ou até que um palito inserido no centro do bolo saia seco.
Retirar do forno e deixar arrefecer antes de desenformar.
Desenformar o bolo sobre um prato forrado com película aderente para que a crosta do bolo não fique agarrada quando o inverter no prato para servir.
Polvilhar o bolo com açúcar em pó.
Servir o bolo com as restantes tangerinas e a calda.
Receita adaptada de Bill Granger
Tangerinas
(…) deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor,
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.
Eugénio de Andrade
Tangerinas cristalizadas
500 g de tangerinas
500 ml de água
350 g de açúcar
Escolhi tangerinas muito pequenas, de pele fina e sem caroços.
Lavar bem as tangerinas.
Colocar as tangerinas numa panela com água e levar ao lume, deixando ferver durante 20 minutos.
Escorrer toda a água e furar a pele das tangerinas com um palito.
Misturar a água e o açúcar numa panela e levar ao lume até ferver.
Juntar as tangerinas e deixar cozinhar durante cerca de 2 horas ou até que estejam translúcidas, tendo o cuidado de manter as tangerinas totalmente submersas.
Retirar do lume e deixar arrefecer.
Guardar as tangerinas dentro da calda, bem tapadas, no frigorífico.
Se forem colocadas num frasco esterilizado e fechado com vácuo duram vários meses à temperatura ambiente.
ou
Passar as tangerinas por abundante açúcar em pó e deixar secar sobre uma grade durante um dia.
Guardar dentro de um recipiente hermético.
Bis!!

Há receitas que se servem das nossas mãos sem cerimónia e sabem de cor o caminho até à boca.
Há dias em que um “bis” salta com a tampa do frasco e grita desesperadamente até às últimas migalhas…

Biscotti de amêndoa e arandos secos
Para cerca de 28 unidades
200 g de farinha T65
1/2 de colher de chá de bicarbonato
2 ovo
125 g de açúcar
1 pitada de sal
1/2 colher de chá de extracto de baunilha
2 colheres de chá de raspa fina de limão
120 g de amêndoas inteiras com pele
90 g de arandos secos
Pré-aquecer o forno a 150º C.
Forrar um tabuleiro de forno com papel vegetal.
Peneirar a farinha com o bicarbonato numa taça.
Bater os ovos, o açúcar, o sal, a baunilha e a raspa de limão (na batedeira a velocidade alta por 5 minutos).
Juntar os ingredientes secos e bater a velocidade baixa, apenas até que estejam incorporados.
Juntar as amêndoas e o arandos e misturar bem na massa.
Verter a massa sobre uma superfície enfarinhada.
Formar um rectângulo com a massa com cerca de 10 cm de largura e 2,5 cm de altura, polvilhando com bastante farinha.
Colocar a massa sobre o tabuleiro e cozer até que esteja dourado (cerca de 40-50 minutos).
Retirar do forno, retirar o excesso de farinha e deixar arrefecer durante 10 minutos.
Reduzir a temperatura do forno para 135º C.
Cortar fatias com cerca de 1 cm de largura com uma faca de serra.
Colocar as fatias sobre um tabuleiro e cozer durante cerca de 20-25 minutos, virando-as a meio da cozedura.
Retirar do forno e deixar arrefecer sobre uma grade.
Guardar os biscotti num recipiente hermético.

Do mal, o menos…
Bolos de maçã com xilitol
Para 10 unidades:
Apto para diabéticos
200 g de maçã descascada e descaroçada
100 g de xilitol
2 colheres de sopa de azeite virgem extra
½ colher de chá de extracto de baunilha
90 g de farinha com fermento
½ colher de chá de fermento
1 ovo
½ colher de chá de canela moída
50 g de nozes moídas
1 pitada de sal
Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Untar com manteiga e polvilhar com farinha 10 formas de queques.
Cortar a maçã em cubinhos, misturar com o xilitol numa taça e deixar repousar durante 30 minutos.
Misturar o azeite, o ovo batido e a baunilha num recipiente.
Peneirar a farinha com o fermento, o sal, a canela e as nozes moídas noutra taça.
Quando o tempo de repouso da maçã tiver passado, adicionar à mistura de ovo, azeite e baunilha.
Misturar os ingredientes secos e mexer até que a massa esteja homogénea.
Levar as forminhas ao forno por cerca de 20 minutos.
Retirar do forno e deixar arrefecer ligeiramente antes de desenformar.
O que é o Xilitol?
É um edulcorante natural encontrado em certos alimentos como framboesas, morangos, ameixas, milho, endívias e cogumelos e que é produzido pelo corpo humano durante o metabolismo da glucose.
O xilitol é um granulado branco e inodoro, sem aftertaste e, dissolvido na boca, proporciona uma sensação refrescante.
Porque pode usado por diabéticos?
Possui o mesmo poder edulcorante que a sacarose – pode ser substituido exactamente nas mesmas quantidades;
Contém 40 % menos de calorias – 2.4 por grama;
Tem um baixo índice glicémico – apenas 7 comprativamente à sacarose com um índice de 64;
Como é lentamente absorvido e um estabilizador natural da insulina, a rápida subida dos níveis de glucose associada ao açúcar, é bastante reduzida.
Uma batata que é um doce…
Bolos de batata-doce e amêndoa
sem ovos, sem lacticínios e sem glúten
Para 8 unidades de 70 g:
400 g de batata-doce cozida e sem casca
100 g de açúcar mascavado
100 g de amêndoa crua e pelada
50 g de amido de milho
1 colher de chá de canela em pó
Pré-aquecer o forno a 200ºC.
Untar com manteiga e polvilhar com amido de milho formas individuais.
Num robot de cozinha, reduzir a batata-doce a puré juntamente com o açúcar.
Adicionar a amêndoa moída grosseiramente e bater.
Juntar o amido de milho e a canela e bater até homogeneizar.
Distribuir a massa pelas formas e cozer durante cerca de 30 minutos.
Retirar do forno e deixar arrefecer dentro das formas antes de desenformar.



















