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O rei na barriga

017 O rei na barriga


Nem posso acreditar em como os meus gostos foram mudando ao longo da minha vida. Não gostava de doces tradicionais ou doces feitos em épocas festivas e os Natais foram passando por mim sem que tivesse qualquer entusiasmo com as frutas cristalizadas, os frutos secos, as gemas e os excessos de açúcar.

O bolo-rei sempre foi um daqueles bolos… tirar-lhe todas as frutas era um trabalho minucioso, pouco compensador e que me fazia facilmente perder a paciência….
As fatias esburacadas remendavam-se com queijo e, à medida que o comia, ia eliminando as provas de um desperdício que quase sempre me custava um raspanete.

Agora, não o dispenso e este ano já ninguém mo tira…

024 O rei na barriga

Bolo-rei

10 g de fermento de padeiro
30 g de farinha de trigo T55
25 ml de leite tépido

25 ml de vinho do Porto
40 g de uvas passas
40 g de manteiga
40 g de açúcar
Raspa fina de ¼ de limão
Raspa fina de ¼ de laranja
Meia colher de chá de extracto de baunilha
1 ovo
160 g de farinha T55
¼ de colher de chá de sal fino
50 g de frutas cristalizadas cortadas em pequenos pedaços
50 g de frutos secos grosseiramente picados

1 gema de ovo
Um pouco de água
Frutas cristalizadas e frutos secos para decorar
Geleia
Açúcar em pó

Desfazer o fermento no leite e juntar a farinha numa taça
mexendo até que fique uma massa homogénea. Tapar a taça com película aderente e deixar levedar num lugar temperado por cerca de 15-20 minutos ou até que duplique de volume e forme bolhas.
Entretanto misturar as passas com o vinho e deixar macerar.
Bater a manteiga com o açúcar, as raspas de limão e laranja e a baunilha até que fique um preparado cremoso e esbranquiçado.
Juntar o ovo e bater bem.
Colocar o gancho de amassar na batedeira e juntar a primeira massa, já fermentada, amassando a velocidade média.
Juntar a farinha peneirada com o sal, até que esteja perfeitamente incorporada.
Juntar o vinho e as passas e continuar a bater a velocidade média por cerca de 20-25 minutos ou até que a massa esteja elástica (pode ser necessário juntar mais um pouco de farinha se a massa estiver muito mole).
Juntar as frutas cristalizadas e os frutos secos e bater apenas até que estejam uniformemente misturados na massa.
Retirar a massa da batedeira e formar uma bola, polvilhando-a ligeiramente de farinha.
Colocar a bola de massa sobre uma taça polvilhada com farinha e tapar com película aderente.
Deixar a massa levedar num local temperado durante cerca de 1h30 ou até que a massa tenha duplicado de volume.
Retirar a massa da taça, amassar ligeiramente para extrair todo o ar que se formou durante a fermentação.
Formar um rolo com a massa e colocá-lo de forma circular, unido as pontas.
Colocar sobre um tabuleiro de forno forrado com papel vegetal e deixar levedar novamente num local temperado durante cerca de 1h30 minutos ou até que tenha duplicado de volume.
Pré-aquecer o forno a 180º C.
Diluir a gema com um pouco de água e pincelar o bolo.
Colocar as frutas e os frutos secos de forma harmoniosa sobre a superfície do bolo.
Cozer durante cerca de 25 minutos ou até que esteja dourado.
Retirar do forno e pincelar com geleia diluída num pouco de água para dar brilho.
Polvilhar com açúcar em pó.

Adaptado de Maria de Lourdes Modesto.

Cheiros que nos despertam…

012 Cheiros que nos despertam...

O olfacto é uma vista estranha. Evoca paisagens sentimentais por um desenhar súbito do subconsciente. Tenho sentido isto muitas vezes. Passo numa rua. Não vejo nada, ou antes, olhando tudo, vejo como toda a gente vê. Sei que vou por uma rua e não sei que ela existe com lados e feitios de casas diferentes e construídas por gente humana. Passo numa rua. De uma padaria sai um cheiro a pão que nauseia por doce no cheiro dele: e a minha infância ergue-se de determinado bairro distante, e outra padaria me surge daquele reino das fadas que é tudo o que se nos morreu. Passo numa rua. Cheira de repente às frutas do tabuleiro inclinado da loja estreita; e a minha breve vida no campo, não sei já quando nem onde, tem árvores ao fim e sossego no meu coração, indiscutivelmente menino.(…)

Fernando Pessoa

022 Cheiros que nos despertam...

Brioche

230 g de farinha de trigo para pão
12 g de fermento fresco
2 ovos
50 ml de leite gordo (tépido)
25 g de açúcar
1 colher de chá de sal
140 g de manteiga amolecida

1 gema diluida num pouco de água para pincelar

Dissolver o fermento no leite.
Na taça da batedeira, misturar a farinha, com o fermento, os ovos, o açúcar e o sal.
Com o gancho de amassar, amassar até que esteja uma mistura homogénea.
Adicionar a manteiga, aos poucos, sem deixar de bater, até que esteja completamente incorporada na massa.
Bater a uma velocidade média durante cerca de 15 minutos ou até que a massa se solte das paredes da taça.
Untar um tabuleiro com manteiga e forrar com película aderente ou papel vegetal.
Verter a massa no tabuleiro, tapar com película aderente e refrigerar durante aproximadamente 8 horas.
Untar uma forma de manteiga.
Retirar a massa do frigorífico e amassar ligeiramente, sobre uma superfície ligeiramente enfarinhada.
Cortar a massa em 10 partes iguais e formar bolas de massa, usando o mínimo de farinha possível.
(Ir refrigerando a massa sempre que seja necessário porque se amolecer demasiado não é possível moldar).
Colocar as bolas de massa dentro do tabuleiro, ligeiramente espaçadas entre si.
Refrigerar durante 15 minutos e pincelar a superfície da massa com a gema de ovo.
Cobrir a forma com um pano ou película aderente e deixar fermentar num lugar temperado durante cerca de 1 hora-1 hora e meia ou até que a massa duplique de volume (cuidado para não deixar passar o tempo de fermentação!).
Pré-aquecer o forno a 200ºC.
Pincelar novamente a superfície da massa com gema de ovo e cozer durante cerca de 15 minutos, ou até que os brioches tenham uma cor dourada.
Retirar do forno, deixar arrefecer ligeiramente e desenformar.
Servir com doces, queijo cremoso ou manteiga.

Nota: os brioches também se podem cozer em formas indivíduais.
Se quiser congelar a massa, deixar cozer os brioches sem que ganhem cor, retirar do forno e embalar convenientemente. Reaquecer os brioches no forno até dourarem.
Nenhuma massa fermentada se deve congelar durante mais do que duas semanas porque isso afecta a sua textura e sabor.

O pão que o diabo amassou

012 O pão que o diabo amassou

O Domingo queima, a casa sua por todas as paredes e o calor cola-se à pele impedindo qualquer movimento.
A minha cozinha insiste em convites diabólicos e eu não posso resistir à condenação ao inferno.

022 O pão que o diabo amassou

Scot Baps (pães escoceses)

Para 15 unidades de aproximadamente 60 g cada:

175 ml de água
175 ml de leite tépido
25 g de levedura prensada
25 g de açúcar em pó
25 g de sal fino
500 g de farinha forte
Leite extra para o glaceado
Farinha para polvilhar

Dissolver a levedura com o leite e o açúcar.
Misturar a farinha com o sal e juntar a água e o leite com o açúcar e a levedura.
Amassar até que a massa esteja homogénea e elástica.
Formar uma bola com a massa e pôr dentro de uma taça.
Fermentar a massa durante 1 hora ou até que duplique de volume bem tapada com film e num lugar temperado.
Romper a fermentação e dividir a massa em 15 partes.
Formar bolas com cada porção de massa.
Espalmar com um rolo cada bola até que tenha 1 cm de espessura.
Colocar os pães sobre um tabuleiro polvilhado com farinha ou papel de forno.
Pintar a superfície dos pães com leite e polvilhar com farinha.
Deixar que os pães fermentem por 30-45 minutos.
Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Polvilhar os pães novamente com farinha.
Pressionar o centro de cada pão com o dedo formando um buraco com 1 cm de profundidade.
Cozer 15-20 minutos.
Também se pode apenas pré-cozer e congelar como está explicado aqui.

032 O pão que o diabo amassou

Quando o pão faz a festa…

011 Quando o pão faz a festa...

O tempo foge-me e vinte e quatro horas não chegam para completar o meu dia.
Recuo a sete de Março e esgoto a última receita guardada sem qualquer outra alternativa.
Inevitavelmente, sigo com o meu posto de padeira e o pão, esse, faz a festa.

031 Quando o pão faz a festa...

PartyBrot (pão alemão de festa)

20 g de levedura fresca
250 ml de leite tépido
60 g de manteiga
50 g de açúcar em pó
2 ovos, batidos
560 g de farinha forte
10 g de sal

Gema de ovo misturada com leite, para pincelar
Sementes de sésamo e papoila, para polvilhar

Untar uma forma de 24 cm de diâmetro.
Dissolver a levedura no leite.
Colocar o leite com a levedura e todos os restantes ingredientes dentro da taça da batedeira com o gancho de amassar.
Amassar até que a massa esteja homogénea e elástica.
Tapar a taça com film ou um pano húmido e deixar fermentar num lugar temperado.
(Uns 45-50 minutos ou até que duplique de volume).
Romper a fermentação, amassando ligeiramente.
Formar 19 bolas de pão com o mesmo peso.
Dispor as bolas de pão na forma em círculos concêntricos:
Uma bola no centro, 6 bolas à sua volta e 12 bolas no exterior.
Fermentar novamente 45 minutos.
Pré-aquecer o forno a 200ºC.
Pincelar a superfície dos pães.
Cobrir com as sementes de papoila alternando com o sésamo.
Cozer 45 minutos.

Eu fiz metade da receita numa forma com o mesmo diâmetro e cozeu em apenas 18 minutos.

021 Quando o pão faz a festa...

Lar, doce lar

019 Lar, doce lar

Ergo a cabeça, inspiro profundamente e expiro com ais de suspiro.
De volta a Palma, a chuva suja o caminho para a escola e os dias adoçam-se com telefonemas distantes.

041 Lar, doce lar

Pão Viena

Para 35 unidades de 50 g:

600 g de farinha T65
400 g de farinha T55
100 g açúcar
100 g manteiga amolecida
500 ml leite tépido
60 g levedura fresca
Gema diluída num pouco de água para pincelar.

Dissolver a levedura no leite.
Numa taça juntar todos os ingredientes e o leite com a levedura.
Com o gancho de amassar, amassar tudo até que a massa esteja homogénea e elástica. (uns 15-20 minutos a velocidade média)

Preparar um tabuleiro de forno com papel vegetal ou de forno.
Dividir a massa em porções de 50 g e formar bolas de pão.
Dispor as bolas de pão no tabuleiro deixando algum espaço entre elas.
Tapar com film ou um pano húmido e deixar que fermentem num lugar temperado até duplicar de volume. (uns 20-30 minutos)*
Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Cozer por 10-12 minutos ou até que os pães estejam cozidos e dourados.

* se não dispuser uma fermentadora e para que o pão fermente mais rapidamente: preparar um banho-maria com água morna, colocar dentro de água a taça com a massa do pão e tapar tudo com film ou um pano, deixando fermentar.

Preparei estes pãezinhos e deixei-os pré-cozidos e congelados para o pequeno-almoço de toda a semana.

Pré-cozer pão:
Cozer o pão até que cresça e se forme uma ligeira crosta ainda sem cor (o pão deve estar branco).
Congelar o pão.
Retirar o pão do congelador e pôr directamente no forno pré-aquecido até que se forme uma crosta dourada (5-10 minutos).

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