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Quarto frio…

Merluzas, carrés e ensaladas…

Amanhã espera-me o despiece de campana (uma perna de vaca, de carne e osso!) e eu que nunca quis ir para medicina!!!

É a ultima vez que estou nesta partida, a rota seguirá por cocina caliente e acabo em restaurante, onde vou ter toda uma semana como chef de pastelaria. Como o ano está a acabar, agora somos nós que dirigimos tudo na cozinha, quase sem ajuda de nenhum professor. Esta semana também são só três dias… Viva o dia do trabalhador! Para o comemorar, resolvemos fazer outro “feriado” e na sexta decidimos, por unanimidade, que ninguém ia às aulas.

No pouco tempo que me restou, o Gató já está no forno para a sobremesa de amanhã…

Suspiros com praia

Último sábado de Abril…

Uma merenda partilhada com uns pardais, cada vez mais atrevidos. Umas notas no caderno de receitas e o reflexo do sol sobre umas páginas mal lidas de Pierre Hermé.

O sempre preguiçoso regresso a casa, depois de uma “tarde playera“.

Uma sugestão para quem não quer perder muito tempo (os suspiros podem sempre comprar-se) e disfrutar de uma agradável sobremesa.

suspiros 747991 Suspiros com praia
Suspiros:

600 g. de açúcar
400 g. de claras
umas gotas de sumo de limão

Pré-aquecer o forno a 80º C.
Bater as claras em castelo com o limão.
Adicionar o açúcar aos poucos até que a mistura esteja firme e brilhante.
Pôr o preparado num saco pasteleiro com uma boquilha estriada e formar os suspiros sobre um tabuleiro forrado com papel vegetal.
Levar os suspiros ao forno até secarem (o resultado perfeito seriam uns suspiros brancos, o que não acontece se a temperatura for mais alta).

Creme Chantilly:

1 l de nata
15 g. de açúcar
baunilha a gosto

Bater tudo junto até ter a consistência desejada.
Montar camadas de suspiros alternadas com morangos e chantilly.

Eu fiz num prato para comer no momento, com o inconveniente de que passado pouco tempo os suspiros amolecem com o sumo dos morangos, desmoronando-se. O ideal seria montar esta sobremesa numa taça ou em pequenos copos individuais.

Just a perfect day…

26º C… um mar azul transparente… e uma praia semi-deserta… É muito bom fazer doces, mas como seria possível resistir a um dia de praia?

Além disso, uma fatia sumarenta de melancia pode fazer inveja a muitas sobremesas. E foi assim o meu dia…

Uma tarde a tostar como um biscoito, que acabou em beleza: risotto de tomate com solomillo grelhado com all-i-oli e uma melancia fresquinha e doce para terminar.

(ainda há trufas para mais logo!! eheheh).

Trufas

trufas 707738 Trufas

“Os aromas misturados do chocolate, da baunilha, do cobre aquecido e da canela, são embriagantes, poderosamente sugestivos; o acre odor terroso das américas, o ardente resinoso da selva tropical. Assim é como viajo actualmente, como os Aztecas nos seus rituais sagrados”

Joanne Harris, Chocolat, 1999

Finalmente tenho um bocadinho de tempo para publicar as minhas trufas.

Estas trufas, ao estilo francês, consistem numa ganache de chocolate polvilhado com cacau.

As trufas receberam este nome, na década de 20, pelo seu aspecto similar ao de uma trufa (fungo subterrâneo… sim… essas que se leiloam por verdadeiras fortunas!).

Para 36 trufas:

275 g. de chocolate negro – mínimo 60% de cacau (eu usei de 70%)
250 ml de nata espessa
50 g. de manteiga à temperatura ambiente
50 g. de cacau em pó para cobrir as trufas

Picar o chocolate (com uma faca ou directamente na picadora) e reservar numa taça.
Ferver a nata.
Verter a nata sobre o chocolate, mexendo cuidadosamente (tentando não criar borbulhas).
Deixar arrefecer 2 minutos.
Juntar a manteiga em duas vezes e misturar suavemente.
A ganache deve ficar lisa, brilhante e não deve ter gordura à superfície.
Refrigerar no mínimo 3 horas ou toda a noite.
Passado este tempo, retirar a ganache e preparar um prato com o cacau em pó.
Passar as mãos por cacau e formar pequenas bolas.
Deixá-las cair sobre o prato com cacau e envolvê-las bem.
Voltar a refrigerar durante 1 hora, no mínimo.

O processo de bolear as trufas pode tornar-se complicado porque o chocolate se derrete facilmente nas mãos. Para mim, a forma mais simples é usar uma “colher esférica para melão”, que convém que esteja untada para que a trufa se solte bem.

Na minha opinião, estas trufas ficam melhores depois de umas horas no congelador. Quanto mais frias estiverem, menos seco parecerá o cacau. Aliás, eu congelei metade, porque além de se conservarem mais tempo, “longe da vista, longe da tentação“.

Carpe diem

Hoje não fui às aulas. O meu carro traiu-me. Ele bem me andava a avisar, mas como sempre, há demasiado que fazer para pensar na “família”. Tantos quilómetros juntos e o óxido apoderou-se da bateria ferindo o meu carro de morte.

O meu dia não podia ter sido outro.

A casa ficou finalmente arrumada, o jantar pronto às três da tarde com tempo livre para o mecânico (o abençoado búlgaro não nos levou nada!) e para as trufas.

Devem refrigerar de um dia para o outro…

Amanhã é um novo dia!

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