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Tarte com Creme de Coco.

Abril, desejos mil.

Hoje, nada é maior, mais nítido, mais claro. Talvez o possa parecer aos olhos puros da consciência que encontra nas datas marcadas, nos rituais, no conforto da presença e no abismo da carência, as memórias que nos constroem.
Ver para dentro pode ser um exercício de sofrimento, contudo, e mesmo podendo parecer insensato atravessar as perguntas que nos aproximam da loucura, esse é o meio que oferece menor resistência à verdade.
Cada um de nós tem o modo que lhe pertence. Somos únicos mas partilhamos uma história que só faz sentido pelo outro. Uns pelos outros, somos um.
O mais importante é saber que, ao unir as palavras, de nada valem as regras gramaticais. Que é aí que a aparente inutilidade poética se revela urgente ou, nas palavras de Eugénio de andrade, o amor.

Que o sol brilhe. Que se partilhe. Que se coma tarte de coco.

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Churros (numa versão leve e vegan).

Quarentena.

O tempo é tão só meu neste afastamento, que percebo que não me pertence.
Os momentos em que a solidão é mais feroz, são também aqueles em que o sentimento individual perde o sentido. Há um destino colectivo que valida o afastamento do outro, mesmo quando não nos é pedido ou imposto.
Agora, urge a distância.

A separação morde, mesmo a um mínimo de um metro de segurança, no espaço vazio de um abraço, na ausência fria de um beijo. É por isso que, em legítima defesa, trinco pão e nozes, devoro o doce de tomate, e ainda ataco as bolachas. Quem disse que resistir era fácil?

Conto 19 amargos dias sem trabalhar, com a regra confirmada por um bolo.
Disseram que as contas não apresentam perigo de contágio, e não permanecem em isolamento. São inúmeras as questões que me coloco, sem as longas caminhadas que me ajudam a clarificar o pensamento. Ainda assim, penso na lógica de uma cadeia e no desenho de um círculo. Talvez esteja equivocada e seja antes um circo. Como acabei de comer pão, canto a ideia das feras.

Volto ao tema inicial e concentro-me na ambiguidade da distância que ora afasta, ora une: na saudade, na solidariedade, na luta por um bem maior e universal.

Longe de ser santa, faço um sermão aos gatos sobre a importância dos valores absolutos, e de como o respeito é a base de todas as relações. Convido-os a uma mesa redonda, com a fome necessária para provar a realidade do outro e sem julgamentos de entretenimento televisivo (poupem-me às unhas de fora). Insisto que é hora da partilha, do minuto de silêncio contra o silêncio e do segundo sem hesitação.

Salve-se quem pudermos.

Estou certa que vai ser mais fácil resistir a isto, do que ir desafiar outro pacote de bolachas.

(Acabei a fazer churros). Quem vai ficar redonda sou eu.

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Creme de Chocolate Branco e Limão com Merengue Cozido.

Construir uma Catapulta.

À procura de instruções precisas sobre como montar uma catapulta, vou dar aos gregos e, inevitavelmente, ao poema de Herberto Helder:
“e então indago de mim se eu
próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?”

Leio que uma catapulta é uma arma de arremesso construída com uma espécie de colher. Já não me lembro onde foi, aprendi que a colher era o único talher sem carácter bélico. Uma faca usa-se para cortar, um garfo serve para espetar e, afinal, a aparentemente inofensiva colher de bordos polidos, pode usar-se para arremessar. Toda a paz que eu sempre depositara numa colher, subitamente estremeceu.

Se a colher de uma catapulta pode atirar pedras a grande distância, como não imaginar o lançamento de um abade de priscos? Como desviar esta ideia de uma panna cotta voadora ou, de uma crema catalana em puro movimento? Com um engenho, a pastelaria pode ir além muros.

Vejo que os primeiros mecanismos se baseavam em tensão, depois em torção e, por fim, usavam a gravidade. Ignoro isso. O que eu procuro é em como erguer uma força para nos (re)inventarmos como homens e não como máquinas.

Eu quero construir uma catapulta com paixão:
“os cegos, os temperados, ah não”.

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Receita de Bolinhos de Batata-Doce e Amêndoa (Sem Glúten).

Regresso à Cozinha.

A uma velocidade equivalente à massa de um bolo, é possível movermo-nos mais rápido do que a sombra. A máquina está montada.

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Receita de Cheesecake Frio de Chocolate Branco e Figos.

Nítida como a Figueira.

Agosto é quente no sangue que me devolve
junto à casa, nítida como a figueira.

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